O uruguaio Mário Neira Barreiro, que denunciou um suposto complô que levou à morte do ex-presidente João Goulart, fugiu para a Argentina. O ex-militar, que monitorou os passos de Jango durante seu exílio, viajou há cerca de dois meses para Buenos Aires e disse que não pretende mais voltar ao Brasil. Condenado em 2003 por roubo, porte ilegal de arma e formação de quadrilha, estava em liberdade condicional desde abril deste ano no Rio Grande do Sul.
A fuga foi motivada pelo indeferimento do último instrumento legal que poderia mantê-lo no Brasil, já que sua extradição para o Uruguai está autorizada desde 1999. Em 10 de outubro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou recurso da defesa, com base no Estatuto dos Refugiados, para dar status político ao uruguaio. Assim, o processo de extradição poderia ser retomado.
Em depoimento ao jornalista Roger Rodriguez, Barreiro disse que Jango foi vítima da Operação Escorpião — montada no âmbito da Operação Condor para eliminar o ex-presidente e impedir sua volta ao Brasil, em 1976. Segundo Barreiro, Jango teve adulterados os medicamentos que tomava para o coração, o que teria causado sua morte.
No perfil que mantém numa rede social, Barreiro informa que está morando em Buenos Aires. Em 3 de dezembro, ele participou, no cemitério da Chacarita, na capital argentina, de uma homenagem ao coronel Mohamed Alí Seineldin, que chefiou uma tentativa de golpe militar contra o ex-presidente Carlos Menem em 1990. Seineldin, condenado à prisão perpétua, morreu em 2009.
O Globo
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