O estudo publicado na Plos One contou com mais de 11 mil gêmeos (idênticos ou não) de 16 anos e concluiu que 60% da variação de resultados em temas como inglês, matemática e ciência era influenciada pela genética. A descoberta não significa que a performance do estudante é determinada só pelos genes, ou que escola e ambiente não têm influência. Já que, enquanto isto, 29% dos resultados eram atribuídos ao ambiente – como escola, vizinhança e familiares. O restante estava relacionado a influências não ambientais, como doença.
Além disso, a genética tinha maior influência nos resultados para temas de ciência (58%) do que para humanidades, como arte e música (42%). Isto, segundo os pesquisadores, questiona a crença comum de que a ciência é aprendida pelo ensino, mas habilidades como artes são dons da natureza.
- Nossa pesquisa mostra que a diferença na performance educacional de estudantes depende mais da genética do que do ambiente – afirmou ao “Telegraph” o autor do estudo, Nicholas Shakeshaft, do Instituto de Psiquiatria do King’s College London.
O autor afirma ainda que a descoberta poderia ajudar a direcionar a educação para as necessidades individuais dos alunos, em vez de ter apenas uma fórmula para todos.
- Sugerimos que o sistema de ensino que trata as crianças todas da mesma forma é menos eficiente do que aquele que diferencia este tratamento – acrescentou.
Segundo os autores, a genética se torna um fator importante exatamente porque o sistema escolar aplica a mesma fórmula educacional a todos os estudantes. Quanto mais estes fatores são iguais, mais diferenças genéticas aparecem no resultado prático. A mesma situação ocorreria se todos tivessem a mesma dieta: diferenças no peso seriam mais determinadas pela variação genética, em vez de pelo estilo de vida.
Estudo com gêmeos
Gêmeos não idênticos podem nascer no mesmo ambiente, frequentar a mesma escola, crescer na mesma família e na mesma vizinhança, mas apenas metade dos genes é o mesmo. Gêmeos idênticos, ao contrário, compartilham tanto o mesmo ambiente como os mesmos genes. Assim, comparar os dois pares de gêmeos foi uma forma de separar os efeitos da genética e do ambiente ao avaliar as notas dos exames.
Por exemplo, quando gêmeos idênticos têm pontuações muito diferentes, a causa não pode ser genética. Aí vem o que os cientistas chamam de “efeitos de ambiente não compartilhados”, como o melhor aluno ter um professor melhor.
O Globo
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