Para Micarla, a borboleta morreu. Borboleta tem vida curta. Hoje ela prefere as águias, ter a visão desse tipo de ave. E é tentando ver as coisas desse jeito, cerca de um ano após sua deposição, que ela aguarda uma explicação para o fato de ter sido julgada e condenada publicamente sem que uma justificativa concreta para esse fato tenha sido apresentada pelo Ministério Público.
À época, a instituição era comandada por Manoel Onofre Neto, que dias antes foi à TV anunciar o pedido de afastamento sem dizer o porquê. Hoje promotor, quando perguntado sobre o assunto (sem câmera nem holofote) ele declina de falar sobre o caso e passa a vez para o atual procurador-geral de Justiça.
Após aquele 31 de outubro, a jornalista se viu imposta a um autoexílio, na própria casa: aguardando uma decisão que lhe devolvesse o mandato, ela esperou por dois meses. Nesse período teria desenvolvido síndrome de pânico. E também um suposto bloqueio mental acerca dos acontecimentos.
Os 60 dias foram marcados pelo abandono, por parte de uns; e apoio por parte de outros. Dos 26 secretários, cargos de confiança de Micarla, apenas oito continuaram a seu lado após a perda do mandato (de fato). Dos 14 vereadores que a apoiavam, apenas dois a visitaram. E seu vice-prefeito, Paulinho Freire, que chegou a assumir a Prefeitura, só teria falado novamente com a jornalista este ano, já em 2013. Por outro lado, muita gente que não estava interessado no glamour do poder bateu à porta da casa da ex-prefeita, por solidariedade. Ricardo San Martin e Cida (sua esposa) foram duas dessas pessoas. Gabriel Chalita, amigo da época de mandato e atualmente deputado federal pelo PMDB, até hoje liga. Ligou esta semana mesmo, dia 23, por volta das 18h.
Micarla de Sousa foi eleita em outubro de 2008, com 50,84%. A vitória veio ainda no primeiro turno, com 193.195 votos, derrotando a deputada federal Fátima Bezerra, que contava com o apoio do então prefeito Carlos Eduardo, da então governadora Wilma de Faria; e do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele inclusive veio a Natal participar de comício alardeando que vinha para mostrar que poderia derrotar a candidata de José Agripino (o senador do DEM era um dos que apoiava a “borboleta”). Não deu. Micarla ficou conhecida como a candidata que derrotou Lula.
Com informações do Novo Jornal
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